Motivos que levam à prática do basquetebol: parte 2

Nesta segunda parte do mini artigo, serão apresentados os resultados obtidos com um estudo realizado com jogadores de basquetebol atletas brasileiros de 15 a 18 anos que participaram de competições oficiais da Federação Paulista de Basketball no ano de 2004.

Foram avaliados 135 jogadores: 74 do sexo masculino e 61 do feminino.

Para a coleta de dados foi utilizado o “Formulário para Identificação de Situações de Stress no Basquetebol” (FISSB) criado por DE ROSE Jr. (1999). Este instrumento possui três partes. Uma ficha de identificação do atleta que visa obter algumas informações pessoais do mesmo, bem como dados básicos da sua vida esportiva. Uma segunda parte composta por 162 questões, sendo que para cada uma o atleta tem a opção de dar uma única resposta numa escala de 0 a 5 (nenhum stress à stress muito elevado). E a última com quatro perguntas abertas em que o atleta pode discorrer livremente em função das questões sobre motivos, objetivos, importância do esporte e situação crítica de stress.

Este estudo baseou-se na primeira pergunta aberta do formulário, “O que o levou a iniciar a prática do basquetebol?”.

Foram consideradas todas as respostas, mesmo quando um determinado atleta manifestava-se mais do que uma vez.

Além disso, foi feita uma distribuição da frequência (absoluta e relativa) de cada resposta e dos motivos categorizados para cada sexo.

A partir da análise indutiva, procurou-se agrupar as respostas dos atletas, identificando categorias gerais e específicas para cada grupo de motivos, partindo-se do conceito geral de motivos intrínsecos e extrínsecos.

Nos 135 formulários respondidos foram identificadas 225 manifestações sobre motivos de prática do basquetebol, sendo 156 por parte dos rapazes e 69 por parte das moças. Dessas manifestações, 94 estavam relacionadas a motivos intrínsecos (41,8%) e 131 a motivos extrínsecos (58,2%).

A partir desses dados e das características das respostas foi feita a categorização das mesmas, sendo que para os motivos intrínsecos foram determinadas 4 categorias gerais (aspirações; necessidades cognitivas e emocionais; prazer pela modalidade e percepção das qualidades individuais) e para os motivos extrínsecos foram determinadas 2 categorias gerais (pessoas significativas e ambiente social).

Os motivos apontados e as categorias aos quais estão associados são apresentados a seguir:

Motivos Intrínsecos:

  1. Aspiração: Ser um bom jogador ; ser um grande profissional da área
  2. Necessidades cognitivas e emocionais: Desenvolver inteligência; enfrentar desafios; querer praticar um esporte; necessidade de desenvolver o raciocínio e forma de se livrar de outros problemas
  3. Prazer pela modalidade: Sempre fiz vários esportes e optei pelo basquetebol; por ser uma modalidades competitiva; por gostar muito do basquetebol e por diversão
  4. Percepção das qualidades individuais: por ser alto; por me destacar nos jogos

Motivos extrínsecos:

  1. Pessoas significativas:
  • influência da família; tio árbitro
  • modelos: primos que jogavam; pai jogador; tios jogadores; ver a Paula jogar
  • influência do professor/técnico: convite para jogar; apoio do professor de educação física
  1. II. Ambiente Social: ver jogos pela TV; único esporte praticado na escola; clube perto de casa; assistir jogos ao vivo

O prazer pela modalidade esportiva aparece como um dos principais motivos para a prática do esporte, sendo que esta intimamente ligado a motivação intrínseca.

As pessoas significativas são consideradas como as que tiveram maior importância para o início da prática do basquetebol e também a mais importante na classificação geral. Nessa categoria geral a família e o professor/técnico destacam-se pela frequência das respostas.

Os modelos e os amigos tiveram destaque apenas para os rapazes. Já o ambiente social foi citado pelos jovens de ambos os sexos como importante para o ingresso na modalidade.

Entende-se que o professor/técnico deve introduzir uma metodologia de trabalho que perpetue o prazer pela modalidade ao longo da vida esportiva do jovem. As cobranças dos professores/técnicos por resultados e títulos pode tornar a vivência no esporte muito estressante para o jovem, diminuindo ou até mesmo ausentando de prazer toda a sua experiência na modalidade.

O professor/técnico consciente dos principais motivos que levam um jovem a prática esportiva, pode como pessoas significativas que também o são, utilizá-los como principio para transformá-los em prazer pela modalidade, sabendo que este é decisivo para a continuidade do jovem na vida esportiva.

Compreender também que os pais e outras pessoas que possuem influência na vida da criança é essencial para os professores/técnicos nas categorias de base, pois é de responsabilidade deles orientar os pais da importância do seu papel na vivência deste jovem no esporte, tendo em vista que a família pode cooperar para que está experiência seja algo menos estressante do que já é por se tratar das exigências que o esporte impõe aos seus praticantes.

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