A evolução do arremesso no basquetebol

As constantes modificações das regras e da dinâmica do jogo também tiveram influência direta na modificação das técnicas de arremessos. Os arremessos e o posicionamento defensivo (individual e coletivo) têm uma relação muito direta, não se sabendo exatamente qual delas provoca a modificação da outra (é um pouco da história do ovo e da galinha. Quem nasceu primeiro?).

Neste artigo vou me fixar na questão do arremesso e sua evolução ao longo do tempo.

No início, os arremessos eram feitos por trás da cabeça (como em um lateral de futebol) ou à altura do peito. Posteriormente, descobriu-se que o arremesso com as duas mãos abaixo da cintura (conhecido por nós como “lavadeira”) era um arremesso preciso, principalmente, a longas distâncias da cesta.

Esse tipo de arremesso ainda era executado nas décadas de 60 e 70 por iniciantes e em situações de lances-livres. Ricky Barry , um dos astros da NBA da época, tinha cerca de 90% de aproveitamento nos lances-livres utilizando essa técnica. E os mais antigos certamente lembrarão do nosso grande Ubiratan utilizando a “lavadeira” na tentativa de melhorar sua lendária dificuldade em executar os arremessos livres.

A partir dos anos 20, as defesa começaram a mudar sua postura, saindo de uma posição estática e diminuindo o espaço para os atacantes.  Desta forma, a “lavadeira” passou a ser menos eficiente fazendo com que os atacantes buscassem alternativas para essa nova realidade do jogo. Surge então o arremesso com uma das mãos parado e saltando, o arremesso com as duas mãos acima da cabeça  e o arremesso em movimento, buscando uma aproximação maior da cesta. Esses arremessos em movimento também eram utilizados em longa distância.

Como disse anteriormente, a relação arremesso/defesa era constante. Em função dessas novas técnicas, as defesa precisaram mudar novamente seu comportamento, protegendo a área próxima à cesta e diminuindo ainda mais os espaços entre defensores e atacantes.

Surgem o “step-away”, arremesso feito com um passo projetando o corpo para trás e os cortes em direção à cesta buscando arremessos mais próximos (bandeja).  A tabela passa a ser utilizada como anteparo, principalmente nos arremessos de longa distância.

Ainda na década de 20 surgiram as primeiras tabelas de vidro e com elas um problema. A transparência do vidro eliminava a referência que até então os arremessadores tinha com as tabelas de madeira. Para resolver esse problema foi introduzido um retângulo feito com fita adesiva logo acima do aro.

A necessidade de ser mais rápido no arremesso e executá-lo em espaços cada vez menores fez com que os arremessos em movimento em longas distâncias fossem se tronando menos frequentes.  Passou-se a utilizar mais os arremessos com uma das mãos (parado e saltando) até que, em meados da década de 50, surge o “jump”. John Cooper (co-autor de uma das obras de referência deste artigo) é tido como o primeiro a utilizar essa técnica, ainda quando era jogador em “high-school”.

Nesta época surgiu um outro tipo de arremesso que era utilizado pelos jogadores altos que atuavam próximo à cesta. Era o gancho que, atualmente, é pouco utilizado pelos nossos atletas. Kareem Abdul Jabbar, com seu “sky-hook” e Edson Bispo dos Santos, um de nossos maiores pivôs podem ser citados como referência na utilização deste tipo de arremesso.

Essa constante evolução na dinâmica do jogo fez com que muitos movimentos fossem incorporados ao repertório motor dos atletas, combinando com diferentes tipos de arremessos.

Assim sendo, arremessos em dois tempos, arremessos passando por baixo do aro, arremessos em desequilíbrio (para trás e lateral) e as enterradas são ações frequentes e que tornam o jogo cada vez mais empolgante.

 

“Lavadeira” (Daiuto, 1974 – p.257)

Kareem Abdul Jabar e o seu “sky hook”

Fontes de consulta:

The theory and Science of basketball. John Cooper & Daryl Siedentop. Philadelphia: Lea & Febiger, 1975.

Basquetebol: metodologia do ensino. Moacyr Daiuto. Ed. Esporte e Educação, 1974.

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3 ideias sobre “A evolução do arremesso no basquetebol

  1. Digao

    Professor Dante, gostaria de saber por que os ganchos dificilmente sao utilizados no basquete moderno?

  2. Bruno Bressan

    Olá Professor Dante, ótimo artigo!

    Gostaria de deixar meu comentário citando outros dois tipos de arremessos que (ao meu ver) vão dominar o esporte nos próximos anos;
    um deles é o lançe caracterizado pelo Marcelo Huertas (Brasil), onde ele avança á cesta e antes que a cobertura chegue ele lança a bola com uma das mãos por cima do defensor, no contrapé, sem que o defensor tenha tempo de interceptar a bola (se não me engano, denominado “float”)!
    o outro é o arremeço realizado pelo Dirk Nowitzki (Dalas, NBA), onde ele de frente para a cesta e com o marcador á sua frente, sobe para o arremesso trazendo a bola de lado, num movimento circular, parecido com o arremesso do Alex (Brasil) tornando-o indefensável, já que a única forma de marcar este arremesso seria estando de lado ao arremessador, porém também dando espaço para o corte e bandeja!

    Um abraço!

    Bruno Bressan

  3. Bruna

    Explico,explico,e explico e naum explico nada…
    naum entendii nada q vcs escreveram aí

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