Um projeto para o Basquetebol Brasileiro

Amigos do Basquetebol

Passados os Jogos Olímpicos onde tivemos situações opostas em relação ao basquetebol brasileiro, é hora de pensarmos em um projeto para nosso esporte. E não me refiro a projeto para obter medalhas em 2016. E sim um projeto que vise desenvolver nosso basquetebol em todo território nacional , respeitando-se as características regionais e, acima de tudo, pensando no basquetebol e não em pessoas que usam o basquetebol como meio de ascensão a  cargos políticos ou para obter benefícios pessoais.

Antes de tudo quero explicar o porque das “situações opostas” às quais me referi no início do texto. No feminino tivemos uma repetição de velhos erros. Decisões controvertidas, mudanças de treinadores (implicando em mudanças de filosofias de jogo) em tão curto espaço de tempo, problemas disciplinares com uma atleta que, mais uma vez, mostrou que seu ego está acima de qualquer coisa e tudo isto implicando numa campanha pífia nos Jogos Olímpicos.

Já no masculino, depois da tão sonhada volta aos Jogos, tivemos uma sensação de que poderíamos ir mais longe. Mas, ao mesmo tempo, ficamos com a impressão de que nossos rapazes nos representaram de forma digna, dando-nos a esperança de encontrarmos dias muito melhores.

Com a proximidade das eleições na CBB começam a surgir discussões e opiniões sobre os possíveis candidatos e o que eles poderão fazer em prol do basquetebol Brasileiro.

Entendo que, independentemente de nomes que venham dirigir a CBB, está mais do que na hora de pensarmos em um projeto para o basquetebol. Projeto este que tenha a marca da instituição e não de um ou outro nome que esteja circunstancialmente no comando.

Está na hora da CBB encabeçar um projeto para o desenvolvimento do basquetebol em todo país, visando divulgar nosso esporte e aumentar sua prática nas escolas, clubes ou qualquer outra instituição que promova a prática esportiva. E quando digo encabeçar quero ser mais explícito: a CBB tem que impor um projeto. Discutido, estudado, analisado por diferentes setores e que possa atender às expectativas de quem será o verdadeiro beneficiário do mesmo. Ou seja: os jovens.

Para discutir esse projeto sugiro que nossa entidade convide pessoas que atuam no basquetebol (treinadores, ex-atletas, árbitros, dirigentes) mas que não tenham a intenção de tirar proveitos pessoais da situação e que sejam independentes.

Temos que pensar em projeto para nossas categorias de base, pois só com o reforço destas, nossas futuras seleções serão beneficiadas. Temos exemplos a seguir, dentro e fora do basquetebol.

Nossa LNB já provou que com planejamento e investimento pode-se obter ótimos resultados.

A Argentina está aí ao lado. Porque não visitá-la?

Apesar do ranço que muitos ainda carregam em relação ao voleibol, será que nada temos a aprender com a modalidade coletiva que domina o cenário internacional há tantos anos? O que é feito de bom e até mesmo quais são os erros que podem ser evitados? Sei que muitos me criticarão por esta postura, mas não dá para ignorar o sucesso desta modalidade.

Claro que temos que encontrar nosso próprio caminho, mas bons exemplos estão aí para serem analisados e utilizados.

Enfim, espero que minhas palavras e minhas sugestões sejam entendidas como uma tremenda vontade de ajudar o basquetebol crescer. Não tenho vínculo profissional com nenhuma entidade que promove o basquetebol, não estou procurando emprego e muito menos cargos políticos. Estou muito bem resolvido em minha vida profissional.

Só quero ver o basquetebol voltar aos seus grandes dias.

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14 ideias sobre “Um projeto para o Basquetebol Brasileiro

  1. o surpreso

    quanta mudança em seus artigos, dante.
    quando era da ENTB, a CBB era o máximo.
    O que mudou?
    Engraçado, não?

    1. danterose Autor do post

      Prezado Surpreso

      Inicialmente gostaria de lamentar sua postura de se esconder atrás do anonimato. Mas como você perguntou segue a resposta: nada mudou. Talvez você não acompanhe o blog desde seu início e não me conheça o suficiente para emitir uma opinião como essa. Ao contrário de sua postura, nunca me escondi ou me omiti em assuntos relacionados ao basquetebol. O fato de ser ou ter sido da ENTB nunca me tiraram o direito de me expressar de acordo com minhas convicções.

  2. Xinxa Gaspar

    Também espero que um grande projeto, com essas características seja apresentado pela CBB.
    No entanto, espero que essa onda virtuosa que o basquete masculino vem levantando, nos motive à pequenas iniciativas que também são importantes para que a modalidade prospere.
    Nos motive a continuar ou recomeçar a fazer a nossa parte bem feita.

    Nas eleições da CBB (início do ano que vem), nós não podemos votar; a decisão ficará nas mãos dos presidentes de federações. Portanto cabe aos afiliados das federações cobrarem seus presidentes para que votem pensando na evolução da modalidade.

    Mas vale lembrar, que esse ano é ano de eleições municipais.
    Se queremos o basquete e as demais modalidades dentro das escolas, o incentivo e investimento do governo para o desenvolvimento dos jovens através do Esporte e da atividade física, temos que pensar muito antes de apetar o verde na urna eletrônica.

  3. SIDNEI COLEONI

    NA MINHA OPINIÃO A PAULA É UM GRANDE NOME PARA ASSUMIR CBB, ACOMPANHEI O TRABALHO QUE ELA FEZ NO GOVERNO MARIO COVAS, AUXILIADA PELOS EX-ATLETAS LAERTE, EDSON BISPO, MINDAUGAS, MICAL, AMAURY, OBJETIVANDO DESENVOLVER O BASQUETE NAS ESCOLAS, INFELIZMENTE, PENSO QUE, POR RAZÕES POLÍTICAS O PROJETO QUE ESTAVA EM DESENVOLVIMENTO PAROU.ABS/SIDÃO

  4. Kiko

    Olá Dante!

    Tenho defendido a tese de nos espelharmos no voleibol para identificar caminhos alternativos aos atuais trilhados pela CBB. Acho que o tal “ranço” com o voleibol é muito inveja do qualquer outra coisa, pois eles se estruturaram e nós não. As leis de incentivo ao esporte que valem para o volei valem também para o basquete. As dificuldades e limitações operacionais são também similares. Nosso basquete feminino passou por uma década no topo do esporte mundial e não aproveitou o momento para crescer. Épocas de crise são igualmente interessantes para se mexer e mudar. Espero que os presidentes das fedrações sejam responsáveis na hora de eleger o nosso novo “síndico”.

    Quando fiz o curso da ENTB no Rio de Janeiro comentei que a Escola em breve deveria assumir um papel como órgão consultivo e não apenas de capacitação. Acho que chegou a hora.

    E mais uma vez, urge a necessidade de uma política nacional de esporte que contemple não exclusivamente, mas em grande escala, o desporto de alto rendimento.

    Forte abraço!
    Kiko

  5. Jose Medalha

    Caro Dante
    Entendo a sua preocupaçao e ansiedade de ver o basquetebol trilhando novos rumos no mais curto espaço de tempo… Insisto em dois pontos.. Ou agregamos o esporte escolar ( e para isso Educacao Fisica e Esporte tem que ser levados a serio em todos os estados e escolas ) ou entao nos proximos 20 anos vamos continuar nessa briga atual…. Em nivel de alto rendimento ( NBB e LFB ) ja passamos da hora de profissionalizar o basquetebol pra valer., Chega dessa hiprocisia de contratos “under the table “.. Alias no site da FIBA tem uma materia a respeito disso do Stankovic justificando a entrada dos profissionais da NBA nos Jogos OLimpicos)..

  6. Marcos Antonio F. Martins Martins

    Olá Dante, na realidade tenho trabalhado em um projeto para o desenvolvimento sustentável de todos os esportes Olimpicos, só que não encontrei meios para divulga-lo, garanto que é muito interessante.
    Posso te enviar por e-mail? é um arquivo em Word.

  7. Reny Simão

    Concordo com o Prof. Medalha sobre o investimento no esporte escolar. Vi uma reportagem recente na TV sobre o incentivo do esporte em uma escola (não me lembro onde) que mostrou uma quadra de esportes e deu para ver que, além do aro estar sem rede (vemos muito por aí), a tabela foi afixada de ponta cabeça!

  8. Volmar Adriano Jr.

    Parabéns pelo texto! Concordo que precisamos mudar atitudes e as políticas do basquete. Questionei o Brunoro, quando veio a SC apresentar o planejamento do basquete masculino para as olímpiadas de 2012 e 2016, e o feminino não fazia parte desse planejamento(?). A resposta foi de que ainda precisávamos organizar a LIga Feminina. Só isso e o investimento na base?. Sou técnico de base e dia-a-dia perco meninas para o Vôlei, que se organiza e tem mídia. Help, salvem o basquete feminino.

    Volmar – SC

  9. Leonardo Lamas

    Caro Dante, obrigado por nos proprocionar ensejos para reflexões sérias.
    Concordo com você quanto à necessidade de um projeto para o basquetebol e entendo que estamos diante de um problema muito complexo. Evidência disso é a retomada dessa discussão a cada ciclo olímpico ou mundial. Sem êxito. Dada essa complexidade, me parece que o caminho para aborda-lo é o da ciência. Me explico.
    Muito se fala em modelos e políticas: modelo de gestão para o basquetebol, uma política séria na confederação, etc. Mas o debate não se aprofunda. Realmente acredito que sejam necessários modelos e políticas. Mas creio ser ainda mais necessário que esses modelos e políticas tenham estrutura sólida e não apenas um nome para constar. Como acadêmico há muitas décadas que você é, sei que aprofundar os conceitos em qualquer discussão para que essa se faça proveitosa, é algo natural para você. Mas infelizmente não me parece ser algo costumeiro nas instâncias de decisão do esporte em nosso país.
    Me parece que um esforço científico multidisciplinar, e por isso entenda-se: esporte/educação física, gestão empresarial e pública, pedagogia, engenharia de produção (!!), etc., é o único caminho para um resultado realmente exitoso no médio prazo. E êxito neste meu enfoque não tem relação direta com medalhas mas, fundamentalmente, promoção de prática.
    Há “vontade política” para isso no momento? Não conheço de perto as pessoas envovlidas na confederação mas meu palpite é que o enfoque deles não deve ser profundo assim. E acredito que isso se repita em todas as confederações do planeta pois quem lá esta lida com muitas questões (de forma mais ou menos competente – esse não é o mérito do raciocínio) e não pode fazer tudo com a excelência necessária sozinho. Em outras esferas se passa o mesmo. Veja o que ocorre no geverno federal do Brasil. A presidência e os ministérios são assessorados por um instituto de pesquisa (IPEA) para fundamentar cientificamente suas decisões políticas e econômicas. E no resto do mundo desenvolvido é assim também, com grandes verbas sendo destinadas aos chamados “think-tankers”. No esporte estamos longe de ter um instituto como esses mas temos as universidades, com cientistas. E talvez seja possível reunir número suficiente de abnegados para a formulação do modelo/ projeto necessário, como o que você sugere ser necessário.
    Essa iniciativa será aceita? Bem, depende de quem estiver no poder. Mas, se o descaso frente ao esforço prevalecer, o que nos resta?
    A força da sociedade civil. Eis ai um ponto de central de transformação nas relações sociais que ainda não foi percebido por muitos. Veja, por exemplo seu blog. Veja o potencial de mobilização de um simples espaço com alguém fomentando o debate. Quantos envolvidos. Pois é na sociedade civil que esta o potencial de transformação. Movimentos civis bem organizados puxam a reboque as isntituições mais conservadoras.
    Para concluir, concordo inteiramente com a necessidade de um projeto. A meu ver esse projeto decorre de uma modelagem da complexidade pedagógica, social, política e econômica do basquete brasileiro. Essa modelagem não é trivial e, portanto, depende de recorrer a pessoas acostumadas a pensar sobre problemas não triviais. Essas pessoas podem não ter a sensibilidade necessária e daí o mérito de envolver a comunidade do basquete “em peso” para sua dar sua contribuição. E não apostar as fichas na boa recepção política do projeto, mas sim no engajamento da sociedade para fazer valer a excelência ao invés do lugar comum.
    Um abraço e obrigado pela oportunidade de expor meu raciocínio.

    1. danterose Autor do post

      Caro Leo: sua análise é perfeita. Sem uma discussão profunda não sairemos do lugar. O problema é que sempre que se fala em projeto pensa-se nas medalhas olímpicas. De fato isto é importante, mas é um pensamento imediatista que se repete a cada insucesso olímpico. Nunca se pensa em algo a longo prazo e que atenda a interesses gerais e não de uma dada gestão. O problema me parece sempre o mesmo: porque desenvolver um projeto a longo prazo se daqui a pouco vou deixar a gestão para outro e meu nome não vai aparecer? Realmente as pessoas que estão no comando do esporte não conseguem pensar no esporte. Seria muito bom se entendessem a importância de dar um start no processo. Mas concordo que, atualmente, acho meio difícil encontrarmos dirigentes que tenham esta visão. Enfim, vamos insistindo.

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