Entrevista com Guilherme Giovannonni

Amigos do Basquetebol

A entrevista da vez é com o grande atletas Guilherme Giovannonni, um dos principais jogadores brasileiros e que agora também está investindo em projetos para levar o basquetebol às crianças do Distrito Federal.

VB –  Fale sobre sua carreira: início, clubes em que jogo e sua experiência no exterior.

Guilherme Giovannonni (GG) – Comecei minha carreira profissional no E.C. Pinheiros, no inicio do ano de 1997, quando tive a minha primeira oportunidade na equipe adulta do clube, com apenas 16 anos de idade. O técnico era  Wagner Stefani, o Wagnão. Depois de cinco anos no clube fui para a Espanha, jogar por Fuenlabrada e Gijón. Em seguida voltei ao Brasil por um breve período jogando pelo Pinheiros novamente e pelo COC de Ribeirão Preto. Foi quando apareceu a oportunidade de ir para Itália, onde fiquei por mais 7 anos, entre Benetton Treviso, Rimini, Biella e Virtus Bolonha. Tive também uma passagem pelo B.C. Kiev, na Ucrânia.
VB – Fale sobre a seleção: sua participação desde a base até o adulto
GG – Minha primeira experiência com a seleção foi em 1995, na categoria sub 16. Desde então sempre estive presentes nas seleções de categoria de base, até chegar na adulta, em 2001, para jogar o pré- mundial de Neuquém, na Argentina.
VB – Suas impressões sobre o atual estado do basquetebol brasileiro com o advento da LNB.
GG – Acredito que o basquete brasileiro esteja se reconstruindo. A criação da LNB tem sido fundamental principalmente para a credibilidade da nossa modalidade, que estava muito baixa. Mas acho que isso seja só um começo, há muita coisa a ser feita ainda.
VB – Fale do atual estado do basquetebol brasileiro em nivel internacional. O que podemos esperar do Brasil em um futuro próximo?
GG – Acredito esteja passando por um bom momento,em relação a seleção brasileira. Podemos esperar uma equipe muito competitiva nas próximas competições, como já tem sido ultimamente, e lutar sempre por boas colocações.
VB- Em sua opinião o que ainda pode ser feito para melhorar ainda mais a situação do basquetebol brasileiro?
GG – Deve-se haver um trabalho continuo, especialmente na base, para que nossas seleções tenham sempre muitas opções de jogadores. A formação do basquete no Brasil ainda tem muito a melhorar.
Outra coisa que, na minha opinião ajudaria a desenvolver muito aos jovens, é a criação da segunda divisão do NBB. Nela, os jogadores mais novos que hoje tem pouco espaço no NBB terão tempo de quadra e responsabilidades maiores para crescerem como jogadores. Seria interessante também que houvesse um limite de jogadores acima de 26 anos, exatamente para dar espaço a esses jogadores.
VB – Como surgiu a ideia do projeto que você desenvolve em Brasília?
GG – Na verdade, essa ideia é antiga, de quando eu ainda jogava na Itália. Cheguei a realizar um pequeno projeto social em Piracicaba, mas o fato de eu estar longe atrapalhou bastante e o projeto acabou. Agora, , esse projeto é uma escola de basquete, onde visamos o desenvolvimento técnico, tático e principalmente de coordenação motora da criançada. Nenhum dos garotos, independentemente de estatura, peso ou característica física, terá algum tipo de posição definida. Eles trabalham todos os aspectos do jogo.
VB – Quais são seus parceiros nesse projeto 
GG – O Ceub e a AABB de Brasilia
VB – A quem o projeto atende, onde é realizado, como são selecionadas as crianças, como são escolhidos os profissionais, que tipo de atividades você realiza?
GG – Por enquanto, essa é uma escola particular, sem nenhum incentivo ou patrocinio. Os pais matriculam os garotos e pagam os planos estipulados. As aulas são realizadas dentro do campus do Ceub e no clube da AABB-DF. O projeto não tem financiamento, mas assim que tivermos a oportunidade de crescer e expandir para realizar um projeto social, sem duvida faremos. Mas ainda não conseguimos. Aqueles que quiserem ter mais informações poderão acessar www.guilhermegiovannoni.com.br ou www.facebook.com/gg12
VB – Você pensa no fututo após a fase de atleta? Como está se preparando para isto e quais seus planos?
GG – Acho que sempre pensei no pós carreira de atleta, por isso sempre me interessei por outras coisas. Mas hoje, além do basquete, tenho trabalhado muito com a GG12, a associação de jogadores e cursando administração no CEUB. Mas a ideia é continuar trabalhando com o basquete.
VBQuais as maiores dificuldades que o Brasil poderá enfrentar na Copa América na Venezuela e que é classificatória para o mundial?
GG – Acho que algumas lesões farão que a nossa seleção tenha alguns desfalques importantes. Além disso, acho que Argentina, Venezuela e Porto Rico serão os grandes adversários do Brasil.
Agradeço imensamente ao Guilherme a entrevista e a atenção que ele me dispensou pois o pedido foi feito em meio à maratona de jogos que Brasília enfrentou pelo NBB e Liga das Américas. Mesmo assim ele não se negou a responder às perguntas.
Também ressalto a importância do trabalho que ele realiza em Brasília difundindo o basquetebol e incentivando crianças a praticá-lo. Isto é um exemplo e deve servir de motivação para que outros atletas também pensem em divulgar nosso esporte através de projetos que atendam, principalmente as crianças.
Valeu Guilherme. Parabéns por tudo o que tem feito pelo nosso basquetebol.

Entrevista com Fausto Giannecchini

Amigos do Basquetebol

É com grande satisfação que trago uma entrevista com um dos grandes armadores do nosso Basquetebol.

Refiro-me ao Fausto. Com brilhante passagem por equipes como Franca, Vila Nova, Sírio e Minas Tênis, Fausto integrou a seleção brasileira por 12 anos.

Atualmente, Fausto coordena o Instituto Fausto Giannecchini que, entre tantas coisas boas, executa o Projeto Basquete – Assistência para a Vida” para jovens de 11 a 17 anos na região de Franca, Olímpia e Ribeirão Preto.

Com 61 anos, Fausto, é formado em Educação Física e pós graduado em Marketing e Vendas e com MBA em Administração Empresarial e Marketing Esportivo.

VB – Como aconteceu seu interesse pelo basquetebol?

Fausto – Iniciei cedo, desde menino no quintal de minha casa incentivado pelo meu pai Harry Giannecchini, jogador e integrante da equipe de Olímpica, cidade fundadora dos Jogos Abertos do Interior em 1936 e dos meus irmãos Patão e Anjinho jogadores de Olímpia, Biriguí e Franca.

VB – Quando começou, quais equipes que defendeu e quais o títulos que obteve?

Fausto – Em Olímpica com 12 anos. Aos 15 jogava nas equipes de base de Franca e aos 17 já estava na equipe principal e fui convocado para a seleção paulista juvenil. Aos 21 estava na seleção principal. Joguei em Franca, Vila Nova (GO), Minas Tênis e Sírio. Parei em 1991 com 40 anos. Fui Campeão Sul-Americano por Franca em 1974-75-77 e 81; pelo Vila Nova em 73 e pelo Sírio em 1975 e 1981. Também fui Vice Campeão Mundial por Franca em 1975.

VB – E sua participação na Seleção Brasileira?

Fausto: Integrei a  Seleção Brasileira  de 1972 – 1984 (220 jogos). Campeão Sul-Americano em 1973, 1977 e 1983. Participei de dois Jogos Pan-Americanos com Medalhas de Bronze em 1975 e 1979 e de Prata em 1983. Estive no Mundial das Filipinas, em 1978, onde obtivemos o Bronze. Ainda participei da Universíade de Moscou, em 1973, com a medalha de Bronze. Como master, ganhamos a medalha de Ouro em Orlando, em 2003.

VB – Algum jogador serviu de modelo?

Fausto – meu pai, meus irmãos e todos os jogadores da Seleção de 1978.

VB – Fale sobre seus técnicos.

Fausto – Meu primeiro técnico foi meu pai. Depois treinei com o Mical, Ary Vidal, Edson Bispo, Mortari e o Pedroca que considero o maior/melhor técnico e educador que o Brasil já teve.

VB – Quais jogadores se destacam atualmente no basquetebol brasileiro e mundial?

Fausto – Varejão, Huertas, Alex e Guilherme Givannonni. Internacionais: Kobe, Steve Nash e Tony Parker.

VB – Quais as equipes mais difíceis que enfrentou pela seleção?

Fausto – Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia

VB – Há muita diferença do basquetebol de hoje e o praticado em sua época?

Fausto – Sim. Antigamente a técnica era mais apurada. Hoje é muita força.

VB – Como vê o basquetebol brasileiro atualmente?

Fausto – O basquetebol melhorou, fruto de novas gestões. Com a LNB e jogadores e técnicos enquadrados no perfil da cultura brasileira só trarão benefícios.

VB – Quais as perspectivas para nosso basquetebol no Mundial de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016?

Fausto – Estou otimista, mas devemos nos preocupar com a base onde sairão talentos e onde técnicos e dirigentes não têm dado o devido valor à formação.

VB – Seu filho, Ricardo, jogou até há pouco tempo. Como era seu relacionamento com ele. Dava muito palpite na forma dele jogar?

Fausto – Sempre foi muito bom. Eu dava muitas dicas. Agora que ele parou de jogar nós trabalhamos juntos na nossa agência e nos projetos.

VB – Fale do projeto Basquete- Assistência para a Vida.

Fausto – É maravilhoso. Temos dois projetos incentivados, que atendem cerca de 2.000 alunos de escolas da Região de Franca, Olímpia. Em 2013 vamos expandir para a região de Ribeirão Preto. O trabalho é feito com jovens com idades entre 11 e 17 anos (masculino e feminino). A missão do projeto é educar através do basquetebol. Atende crianças de baixa renda e tem como outros objetivos: reduzir a evasão escolar e promover a integração com as comunidades locais. Além disto é uma grande oportunidade de trabalho a profissionais de educação física e esporte. O projeto é coordenado por mim e pelo Ricardo (meu filho) que também é professor de Educação Física.

O projeto é uma parceria com as Prefeituras e Secretarias de Educação locais que nops cedem as instalações. O projeto é responsável pelos uniformes, lanches, materiais e pagamento dos profissionais envolvidos.

Detalhes sobre o Projeto Basquete – Assistência para a Vida e sobre o IFG no site: http://ifg.org.br

Duas gerações prestando bons serviços ao nosso Basquetebol

Duas gerações prestando bons serviços ao nosso Basquetebol

Projeto Basquete-Assistência para a vida em Olímpia (SP)

Projeto Basquete-Assistência para a vida em Olímpia (SP)

Entrevista: Laís Eelena

Amigos do Basquetebol

Neste post a entrevista é com um grande ícone do basquetebol feminino brasileiro. Jogadora de altíssimo nível e uma das mais importantes técnicas do nosso basquetebol. Eu falo de Laís Elena Aranha. Armadora (das boas), uma batalhadora pelo basquetebol feminino (não fosse por ela o basquetebol feminino de Santo André não sobreviveria até hoje. E justiça seja feita, sempre contando com a ajuda da excelente Arilza). Trinta e cinco anos de carreira como técnica sempre em Santo André. Uma raridade em nosso ambiente esportivo.

Laís tem uma história brilhante no nosso basquetebol feminino tendo participado de quatro Mundiais e três Panamericanos. E, do alto dos seus 69 anos,  dever servir como exemplo para todos que militam no nosso esporte pela garra e amor dedicado ao nosso esporte

Segue o texto organizado a partir de perguntas que foram enviadas por email.

Identificação e o início

” Sou Laís Elena Aranha,69 anos, formada em Educação Física e com especialização em atletismo,handebol, natação e basquetebol. Aos 13 anos comecei a fazer esportes no tênis clube na cidade de Garça, onde nasci. Iniciei com a natação,fui para o tênis,voleibol e por último o basquete que se tornou a paixão da minha vida. Meu maior incentivador foi meu pai.”

A carreira de jogadora

“Com 14 anos já estava jogando no time da cidade que participava sempre dos jogos regionais e abertos. Aos 17 anos, no aniversário do clube, convidaram a equipe do Corinthians para fazer um jogo de comemoração. O técnico era o Angelim. Após o jogo ele me fez o convite para jogar no Corinthians.Vim para São Paulo, treinei como nunca e com 18 anos recebi a minha primeira convocação para a seleção paulista. Em seguida a convocação para a seleção brasileira onde servi por 14 anos. Joguei três anos no Corinthians, um ano no XV de Piracicaba e em 1964 ,vim para Santo André jogar na Pirelli. Joguei em Santo André até 1975,quando encerrei minha carreira de atleta.”

A carreira de técnica

“Quando parei de jogar,tudo foi muito tranquilo.Sabia que ia continuar a  minha carreira como técnica e resumir 35 anos como técnica é um pouco complicado, embora esse tempo foi todo tenha sido em Santo André (iniciei em 1976). A decisão de ser técnica já tinha sido tomada antes mesmo de parar. Na verdade o inicio de tudo foi na própria quadra jogando.Eu tinha uma boa leitura do jogo e já comandava o time. Iniciei minha carreira como técnica das categorias de base da Pirelli. Na época só existiam duas categorias: mini até 13 anos e mirim até 15. Ganhamos o campeonato paulista três anos seguidos no mini e dois no mirim. Em 1984 assumi a equipe adulta da Pirelli. Grandes jogadoras foram formadas em Santo André: Marta, Leila, Vívian, Mama e Chuca. Todas serviram a seleção brasileira.”

 Os títulos e os momentos marcantes

“Meus títulos conquistados como jogadora foram: três Campeonatos Paulistas e 8 Jogos Abertos do Interior. Pela Seleção Brasileira foram 6  Sul-Americanos, dois Pan-Americanos e 1 medalha de bronze no Mundial. de 1971, no Brasil. Como técnica conquistei três Campeonatos Paulistas, um Sul Americano de clubes, dois Campeonatos Nacionais e campeã da primeira edição da Liga Nacional. Além disso fui eleita Melhor técnica do ano por três vezes no Paulista e melhor técnica na  Liga Nacional  de 2010. Tive muitos momentos importantes na minha vida mas tenho que destacar o Sul Americano de clubes, quando fomos campeãs com a Arcor e o terceiro lugar no Mundial de 1971″

O modelo e as grandes adversárias

“Tive como modelo de jogadora na minha posição a Heleninha e as melhores armadores adversárias na minha posição foram a Elzinha e a Benedita. Atualmente, destaco a Adrianinha do Sport Recife, Katia de Santo André e Cristina do São José. “

Os técnicos importantes

“Meus Técnicos preferidos foram o  Paulo Albano  na Pirelli e Angelim no Corinthians”.

O basquete de ontem e o de hoje

“Em relação às diferenças do basquete praticado atualmente e o da minha época destaco o trabalho defensivo. Hoje as defesas são muito mais trabalhadas e a condição física também.O jogo tornou-se mais dinâmico dando mais ênfase para o contra-ataque e a transição. As movimentações táticas são mais curtas em função também das alterações nas regras.”

O atual estágio do basquetebol feminino no Brasil

“O basquete feminino vive hoje um momento de transição onde o maior problema é a diferença de idade entre as gerações. As mais novas ainda não tem condições de substituir as veteranas com a mesma qualidade.  Acho importante que mais estrangeiras participem da Liga e com relação aos treinadores nenhuma restrição,desde que sejam melhores dos que temos aqui.”

Perspectivas

“Perspectivas para 2014  e 21016. Em minha opinião não são boas em função da transição.Os talentos que estão surgindo ainda não terão maturidade para encarar essas duas competições.”

Laís - campeã da Liga Nacional de 2011

Laís – campeã da Liga Nacional de 2011

Laís jogando em Garça - agachada no centro com a bola

Laís jogando em Garça – agachada no centro com a bola

Entrevista com Carlos Renato dos Santos, o Renatinho.

Amigos do Basquetebol

Depois de um longo período volto com a coluna de entrevistas. E desta vez trazendo a entrevista do um dos maiores árbitros brasileiros e mundiais. Refiro-me ao Carlos Renato dos Santos, ou simplesmente, Renatinho.

Trago com muito orgulho este papo com o Renatinho, pois de certa forma fui uma das pessoas que contribuiu para que ele abraçasse essa carreira tão vitoriosa. Agora, depois de se “aposentar” das quadras, Renatinho dedica-se à carreira de comentarista do Sportv, função que vem desempenhando com a mesma competência que o marcou como um dos grandes árbitros do basquetebol brasileiro e mundial.

Então vamos à entrevista:

Carlos Renato dos Santos é Paulista, nascido em 10/12/1972. É formado em Educação Física pela FMU-SP e com  MBA em Gestão Empresarial pela FGV

“Comecei jogando basquete aos 8 anos de idade no Corinthians, passei pelo Pinheiros e Tietê” afirma Renatinho.

Viva o Basquetebol (VB) – Como começou seu interesse pela arbitragem? Quando começou a apitar basquetebol?

Renatinho: Sempre gostei da arbitragem. Quando ia assistir jogos ficava atrás da mesa de controle,para observar o trabalhos dos árbitros e dos oficiais de mesa.

Nos treinamentos no EC.Pinheiros, na categoria Pré-Mini com o técnico Dante de Rose Jr, eu pedia para jogar na primeira metade do coletivo e apitar a segunda metade. Todos diziam que eu levava jeito pra coisa.

Foi quando aos 12 anos resolvi fazer o Curso da FPB, e minha mãe me levava nas aulas do curso do Baby Barioni. Tive como professores: Getúlio Coleho, Isaac Griman, Affini e Hagop Uzunian. Fui aprovado com a média de 9,5 e em 1985 fui diplomado pela FPB.

VB – Você teve algum (ou alguns ídolos?). Quem deles mais te influenciou?

 Renatinho: Como árbitros eu tive alguns: José de Oliveira, José Augusto Piovesan, João Vinhaes e José Constanzo (antigo oficial de mesa da FPB).

Na modalidade sempre tive como ídolos Michael Jordan, Oscar, Paula e Hortência.

Quem mais me influenciou na arbitragem foi José de Oliveira pela personalidade e coragem e Piovesan pela administração do jogo. E claro José Constanzo por ser meu padrinho e aquele que brigou por mim. Devo muito do que conquistei a ele e sei que onde estiver está muito feliz com seu afilhado.

VB - Conte um pouco de suas experiências internacionais: o primeiro jogo internacional, campeonatos e finais que apitou.

Renatinho: Iniciei minha carreira internacional em um Sul-americano Juvenil Feminino em São Roque-SP em 1995. Foi quando José Cláudio dos Reis, o MAIOR dirigente de basquete que o Brasil já teve, na época Presidente da COPABA, me viu apitando e disse que eu tinha talento e me levou para o Pré-Olimpico Feminino no mesmo ano no Canadá.

A partir daí a cada ano eram uma ou duas Competições Internacionais que eu era convocado. Foram vários torneios Internacionais. Entre os mais importante foram dois Campeonatos Mundiais Adulto Masculino, quatro Pré-Olímpicos das Américas, um Pré-Olímpico Mundial, três Copas Américas e dois Jogos Olímpicos (Sydney e Atenas)

Em Sydney 2000 apitei a Decisão do Ouro Masculino entre USA e França e em Atenas 2004 apitei a Decisão do Ouro Masculino  entre Argentina x Italia.

VB –  Algum jogo ou campeonato mais marcante?

Renatinho: Os Jogos Olímpicos de 2000 e 2004 foram marcantes e os jogos finais foram inesquecíveis. Mas um jogo em especial foi as Quartas de Final do Mundial de 2002 em Indianápolis entre USA e IUGOSLÁVIA. Muito difícil e marcante.

VB - Quais atletas que mais deram “trabalho”?

Renatinho: O atleta que mais me deu trabalho foi o OSCAR, mas também criamos uma grande amizade com essas experiências que vivemos juntos em quadra. Ele tem uma personalidade forte e eu também.

VB – Alguma vez passou por alguma situação complicada? Cite alguma curiosidade nessa sua trajetória.

Renatinho: Sempre quando num jogo apertado o time da casa perde tem aquela pressão e tentativas de agressão. Tive uma experiência dessas no Palmeiras e em Franca. Nesta de Franca saí do vestiário direto para a Policia Rodoviária e peguei um ônibus para São Paulo. Voltei com a roupa de árbitro, nem pude me trocar.

VB - Como você vê a arbitragem brasileira no contexto mundial?

Renatinho: Vejo a arbitragem brasileira muito bem conceituada. Nos últimos seis Jogos Olímpicos os árbitros brasileiros estiveram presentes em quatro finais – eu apitei duas e o Renato Righetto duas. Nos Mundiais, o Atonio Carlos Affini e o  Cristiano Maranho apitaram uma final cada. No total o Brasil apitou seis finais e é o líder Mundial.

VB – Existe diferença na arbitragem entre masculino e feminino?

Renatinho: Existe sim. O basquete feminino é mais tranquilo, mais cadenciado e no masculino muita força e velocidade.

VB – Comente um pouco sobre a profissionalização da arbitragem no Brasil e no mundo. É possível ter a arbitragem como profissão?

Renatinho: A profissionalização é uma tendência, mas acredito que ainda vai demorar a acontecer. Em minha opinião atualmente não se vive somente com a arbitragem e acredito que nem deva ser assim. Quando o árbitro tem seu trabalho, sua profissão, seu trabalho na quadra fica mais independente. Os árbitros ainda são mal remunerados diante das responsabilidades de um jogo com as equipes cada vez mais profissionais. O NBB melhorou muito as condições de trabalho e de remuneração, mas ainda há um longo caminho.

VB – A arbitragem em categorias de base deveria seguir os mesmos padrões da arbitragem em jogos adultos?

Renatinho: O trabalho da arbitragem na base deve ser mais educativo e mais assistido pelos Departamentos de Arbitragem. Deveria ser meno menos punitivo. Jogadores e árbitros estão em constante aprendizado e devem ser orientados constantemente por profissionais experientes.

VB – Como é esta nova fase de comentarista?

Renatinho: Essa fase está fascinante e maravilhosa. O canal Sportv me recebeu muito bem, profissionais de qualidade e uma infraestrutura sensacional. Estou gostando muito e pretendo continuar aprendendo e estudando para desempenhar melhor essa função.

Também estou ministrando palestras sobre regras para equipes, universidades, professores e uma palestra motivacional para empresas, equipes e afins.

Quero agradecer meus professores e técnicos que me ensinaram muito sobre o basquete entre eles o Prof. Dante de Rose, Prof. Tácito Pinto Filho, Prof. Carlão e Fernandão da Escolinha do Pinheiros, Prof. Edson Fabbri, Profa. Norminha e Prof. Cláudio Mortari.

VB – Deixe uma mensagem aos jovens que estão iniciando ou que pretendem seguir este caminho da arbitragem

Renatinho: Para ser árbitro tem que ter 3 qualidades: Personalidade, Coragem e Dedicação.

Só nos resta parabenizar e agradecer o Renatinho pelos serviços prestados ao à arbitragem e ao basquetebol brasileiro.

Renatinho, orgulho da arbitragem brasileira

Renatinho, orgulho da arbitragem brasileira

Basquetebol masculino em Londres: opinião de quem entende

Amigos do Basquetebol

No masculino, o sorteio das chaves para os Jogos Olímpicos de Londres colocou o Brasil no grupo B ao lado de Espanha, Austrália, China, Grã Bretanha e uma das equipes classificadas no Pré-Olímpico Mundial que será realizado em julho, na Venezuela e que, provavelmente, será uma das equipes europeias que disputarão o referido torneio (Rússia, Lituânia, Grécia, na minha opinião)

O grupo A será formado por Estados Unidos, França, Argentina, Tunísia e duas equipes classificadas no Pré-Olímpico Mundial.

A princípio, o Brasil ficou em um grupo um pouco mais tranquilo e que pode nos levar a uma boa classificação, fugindo do temido quarto lugar, o que nos colocaria em um confronto contra os norte-americanos logo na fase seguinte do torneio.

Mas tudo isso é teoria e especulação. O fato é que a competição será dura e nossa equipe terá que estar muito bem preparada para enfrentar todo e qualquer adversário que aparecer pela frente.

Assim como no post que falava do feminino, trago aqui a opinião de especialistas que estiveram lá, como atletas e técnicos. A base para as opiniões foi a mesma:

  • O que achou do sorteio?
  • Quais as chances do Brasil?
  • Quais os possíveis medalhistas

Vamos às opiniões:

Nilo Guimarães (ex-atleta, participou dos Mundiais de 1982 e 1986 e dos Jogos Olímpicos em 1984):

Não sei qual a sexta equipe, que completara a chave,  mais acredito que temos ótimas condições de fugir do 4o. lugar na classificação, que é o que interessa, pois os EUA sempre se apresentam com equipes fortíssimas e o cruzamento na segunda etapa é determinante para perdermos a chance de medalha. Pela maneira que o Brasil se apresentou no Pré-Olímpico, faz agente acreditar em uma equipe competitiva e vitoriosa. Coloco os EUA, Espanha, Argentina como possíveis mealhistas e o Brasil pode estar nesse bloco e surpreender.

José Medalha (técnico nos Jogos Olimpicos de 1992, em Barcelona e assistente técnico em Seul, em 1988)

Em relação ao sorteio creio que os dois grupos estão bem distintos . Um muito difícil  o A com apenas a Tunísia descartada. O grupo B com Espanha grande favorita seguida do Brasil a meu ver. Mas ha um equilíbrio entre os demais, com exceção creio da Grã-Bretanha que deve ser a ultima. China  corre por fora, bem como a Austrália, além do país que virá do Pré-Olímpico da Venezuela. O problema existe na fase seguinte que é de mata-mata. Às vezes cair num grupo mais difícil passa a ser vantajoso, pois os adversários da outra fase são considerados  como pertencentes a um nível mais inferior, o que torna a fase de mata-mata não tão decisiva. Quanto as chances do Brasil, como ex-técnico vou me abster desse prognóstico,  torcendo para que possamos sair entre os dois primeiros no grupo B para termos mais chances adiante. Possíveis medalhistas:   Ouro =   EUA;  Prata/Bronze  (em ordem alfabética) = Argentina, Brasil, Espanha, França, Lituânia e Rússia).

Luis Cláudio Menon (Participou de três mundiais – Campeão em 1963, 1967 e vice-campeão em 1970 e nos Jogos Olímpicos de 1968 e 1972)

O fato de não termos que enfrentar os americanos nos coloca numa posição mais confortável. Porém, temos a Espanha como grande força, a Austrália que sempre oferece muito trabalho e a China, que é uma incógnita. Vale lembrar que nos dois grupos teremos a presença das equipes que estão disputando o Pré-Olímpico Mundial. Em minha opinião Grécia, Rússia e a Lituânia serão grandes adversários e os prováveis classificados. Gostaria de ressaltar que na competição olímpica todos os jogos serão “pedreira”. Entretanto, observo a nossa equipe em ascensão, com bons jogadores e, claro, com grandes possibilidades. Na minha ótica, a medalha de ouro será dos americanos se conseguirem enviar a maior força. Fiquei sabendo que o Derrick Rose não poderá atuar por cirurgia no joelho. Mas com outras feras, como Kevin Durant, continuarão favoritos. Na sequência, a Espanha, Argentina, que não é a mesma, mas deve ser respeitado, o Brasil e os prováveis classificados do Pré-Olímpico, Rússia e Grécia estarão brigando por medalhas.

Sérgio Machado – Macarrão (Medalha de Bonze, em 1964)

À primeira vista, estar no grupo com equipes menos fortes parece bom. Mas o outro grupo ficou muito forte e até o quarto é pedreira. Acho que ficou difícil para a Argentina, e qualquer quarta de final vai ser duríssima para nós. De bom, só não pegar os EEUU. Em Jogos Olímpicos todos os jogos são difíceis. Tudo pode acontecer. Espero que o time chegue lá treinado, inteiro e em paz.

Wlamir Marques (Bi Capeão Mundial em 1959 e 19563; Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de 1960 e 1964)

Confesso que não gosto de fazer previsões, ainda mais se tratando de uma modalidade hoje muito equilibrada ao redor do mundo. O jornalista sempre encontra nesses meandros motivos para especular resultados, analisar os prováveis confrontos, supor os mais fracos e os mais fortes, citando até os prováveis medalhistas, afinal isso é jornalismo. Sinceramente não é do meu feitio analisar por esse ponto, quando a especulação cria falsas expectativas nem sempre favoráveis à realidade. Talvez pela longa experiência olímpica, prefiro por enquanto permanecer com os pés no chão, até porque os grupos não estão definidos, quando ainda há um pré-olímpico a ser disputado, imaginando que sairão dali três seleções europeias muito fortes. Parto do principio que qualquer comentário especulativo seria como arremessar no escuro, quando ainda não sabemos qual será a composição da nossa própria seleção e a de outros países que vivem os mesmos problemas com os seus jogadores na NBA. Mas nesse imbróglio existem algumas certezas, uma delas é que vamos ter que enfrentar a Espanha. Quem ganha esse jogo? Alguém ousa afirmar o resultado? Pelo retrospecto vence a Espanha, pelo menos é a palavra do momento, mas hoje eu não garanto que isso possa acontecer com tanta certeza. Afinal o que esperar desse jogo? Por enquanto nada, isso só veremos no dia, ou não? Austrália, adversário muito forte, já nos pregaram algumas surpresas ao redor do tempo. Como imaginar por antecipação que sairemos em segundo no grupo menosprezando a Austrália, quem pode garantir um resultado? É jogo chato e difícil, vamos ter que jogar muito bem para vencê-los.  A China vem de um patrocínio olímpico em 2008 e nota-se uma crescente evolução em todas as modalidades, inclusive no basquete masculino, quando a moleza em vencê-los não existe mais, é jogo complicado. Grã Bretanha, não há como imaginar alguma coisa em relação ao basquete inglês, pois não há nenhum retrospecto comparativo, mas jogando em casa pode ser um adversário de respeito. E aquela seleção vinda do pré-olímpico? Será que ela é tão fraca a ponto de acharmos que sairemos em segundo ou primeiros do grupo? Como devem ter percebido, o meu comentário possui muito mais duvidas do que certezas. Baseado nisso dá prá imaginar outra situação ou os favoritos sempre vencem? Favorito para mim só os EUA, mesmo assim se levarem os melhores jogadores da NBA, caso contrário dançam como já aconteceu em Atenas em 2004 e em alguns recentes mundiais. Precavido, me reservo o direito de aguardar as definições das seleções e dos grupos, quando este último sorteio foi de cartas marcadas, mas o que virá pela frente não será mais. A tarefa será dura e difícil para todos, até que nos mostrem o contrário.

Agora é esperar pela convocação da seleção, torcer para que a preparação seja adequada e todos os convocados estejam em condições e preparar o coração.

Dá-lhe Brasil!!!

Basquetebol feminino em Londres: opinião de quem entende

Amigos do Basquetebol

Foi realizado o sorteio das chaves do Basquetebol Feminino para os Jogos Olímpicos de Londres.

O Brasil ficou na chave B ao lado de Austrália, Rússia, Grã Bretanha e de duas equipes que virão do Pré-Olímpico Mundial a ser realizado na Turquia, em julho.

Na chave A teremos Estados Unidos, China, Angola e três equipes que virão do mesmo Pré-Olímpico.

Será uma competição acirrada, com o Brasil tendo que enfrentar duas das maiores potências mundiais do basquetebol feminino, Austrália e Rússia e ainda esperar os confrontos contra duas das equipes classificadas no Pré-Olímpico Mundial que poderão ser Turquia, França, República Tcheca, Coreia ou Croácia.

Reuni neste post vários “experts” para opinar sobre o assunto. São atletas e treinadores que tiveram passagens importantes por competições internacionais, dirigindo nossa seleção feminina e obtendo resultados expressivos tanto em Jogos Olímpicos, quanto em Campeonato Mundiais.

As respostas foram baseadas em três questões colocadas a eles:

  • O que achou do sorteio?
  • Quais as chances do Brasil?
  • Quais os possíveis medalhistas

A palavra está com quem entende do assunto.

João Nunes (ex-preparador físico da Seleção Feminina):

Achei o sorteio bom para o Brasil, teremos dificuldades na primeira fase, mas com grande probabilidade de pegar uma seleção mais fraca no cruzamento da morte. Bom, tudo isso se o Brasil confirmar a terceira colocação no grupo. Se ficar em quarto, aí fica muito difícil. Acredito que os medalhistas serão os EUA, Austrália e Rússia.

Adriana Santos (atleta –  Campeã Mundial na Austrália, 1994, Medalha de Prata em Atlanta, 1996 e Bronze em Sydney, 2000)

A verdade é que não teremos vida fácil nessa Olimpíada. Nossa chave pode sim ser considerada  fortíssima, pois três potências já estão juntas (Austrália, Rússia e Brasil) mais as donas da casa  e sabe-se lá quem virá  ainda pela frente . Nossa equipe é forte e temos chances sim de ir ao pódio. Eu me lembro que nos Jogos de  Sydney não havíamos feito um excelente inicio de campeonato, mas existiu um jogo chave onde esquecemos tudo que havia passado e fomos em busca da vitória (Brasil x Russia) e foi ali que nos juntamos e com todas nossas armas trouxemos o Bronze. Essa equipe tem que estar preparada para perder e se reabilitar, pois  não será a fácil. So as melhores equipes do mundo em busca do mesmo objetivo. Eu penso que E.U.A , Austrália, Brasil e Rússia brigarão pelas medalhas.

Antonio Carlos Barbosa (técnico – Medalha de Bronze em Sydney, 2000)

Em Olimpíada não há moleza. O que é básico e primordial é ter equipe de alto nível em condições de competir com alguma igualdade de condições. Em um primeiro momento, o fato de na primeira fase termos como adversários Austrália e Rússia nos assusta, mas é ainda a fase em que podemos perder. Então fugiremos destas equipes nas quartas de finais, fase em que ocorre a desclassificação. A questão é que teremos a França, República Tcheca e Korea vindo como forças do Pré-Olímpico. Não vejo mais a Rússia como a grande força de outras competições. Depois do Mundial no Brasil não manteve a mesma performance e estará desfalcada da Stepanova, o que faz uma grande diferença. A Austrália, mesmo sem a Penny Taylor, ainda mantem uma forte equipe, muito mais em razão de sua estrutura tática, embora mantenha jogadoras de alto nível técnico, como a Laureen Jackson, Cambag e Harrover. Engana-se quem analise que estamos com uma equipe fraca. Imagino que será um grupo com uma base bem experiente com Erica, Adrianinha e Iziane, secundadas por outras experientes como Karla, Silvia e Chuca e a nova geração com Damiris sendo a grande revelação. Resumindo, duas medalhas tem dono: a de Ouro dos EUA, a outra da Austrália (poderá ser prata) e a de bronze, indefinida com- Russia, França(se for com o time completo), R.Tcheca (voltou a armadora) e o Brasil, sem nos esquecermos da China que agora conseguiu outra gigante.

 

Miguel Ângelo da Luz (Técnico – Campeão Mundial na Austrália, 1994 e medalha de Prata em Atlanta, 1996)

Em uma competição com esta, não tem adversário fácil.  Acredito que se o Brasil tiver uma preparação adequada com os desejos da Comissão Técnica, teremos chances reais de medalha. Os prováveis medalhistas: EUA, Austrália e Brasil. Vamos ficar na torcida!
Paulo Bassul (Técnico Olímpico em 2008 e medalha de Bronze em 2000, como assistente técnico)

Não há muito o que escolher. Em Jogos Olímpicos as chaves são sempre pesadas.  A Rússia estará sem Stepanova e a Austrália sem a Penny Taylor. Ainda são duas grandes equipes, mas sem essas atletas podem ser derrotadas pelo Brasil, que dessa vez vai completo. A Grã-Bretanha tem uma equipe de nível médio, mas vem crescendo e dentro de casa é um jogo perigoso. É uma chave muito semelhante à de 2008, com a diferença de que, dessa vez, nós iremos completos e os outros desfalcados. A presença da Érica, que não foi a Pequim, pode ser decisiva em alguns confrontos. Temos que aguardar as duas seleções que virão do Pré-Olímpico, mas podemos nos classificar muito bem na chave. É uma análise óbvia, mas classificar entre os 3 primeiros para sair de um confronto com os USA é crucial para a sequência do campeonato. Neste momento, com Stepanova e Penny Taylor fora, Austrália “envelhecida” e Espanha eliminada, só vejo os EUA como grande favorito à medalha de ouro. Todas as outras seleções, inclusive o Brasil, podem se embolar na briga por posições, com exceção de Angola.

 

Entrevista com um dos maiores jogadores do basquetebol brasileiro: Luiz Cláudio MENON

Sempre deixei clara minha admiração pelo grande Wlamir Marques, a quem considero o maior jogador de basquetebol deste país de todos os tempos. A camisa 5 do Wlamir foi minha inspiração quando garoto e a usava nas equipes que jogava.

Mas na Escola que eu representava em São Caetano (Instituto Estadual de Educação Coronel Bonifácio de Carvalho) e que tinha um timaço de basquetebol, a “5” já tinha dono e eu, novato, tive que escolher outra. E escolhi a 11. E não foi por acaso. Foi por causa de um jogador que atuava no Sírio (grande rival do meu Corinthians) e que eu admirava pela elegância, técnica e inteligência.

Esse jogador era o Menon. Dono de um arremesso fantástico, Menon (apesar de “inimigo”) enchia meus olhos e me fazia querer ser como ele. E é por isso que trago um pouco da história desse fantástico jogador para que os mais jovens a conheçam e para que os mais “experientes” relembrem um pouco de sua trajetória.

Sobre a carreira, ídolos e clubes:

Iniciei jogando bolinhas de papel num cesto improvisado. Um balde pequeno, sem o fundo, cuja forma cônica se assemelhava a uma cesta. Estávamos em 1959 e escutava pelo rádio o campeonato mundial realizado no Chile. Após cada partida me dirigia ao quintal para fantasiar que estava jogando com Amaury, meu ídolo, Wlamir, outro monstro, Edson, Waldemar e Algodão, o time titular.  Iniciei no juvenil do Palmeiras em 1960 com idade de jogar no infantil. Porém, menti a idade para mais e assim jogar no juvenil. Em 1963 me transferi para o Sírio, onde encerrei minha carreira esportiva em1974

Clubes que defendeu, seleção brasileira, títulos e competições

Em toda minha carreira defendi somente dois clubes: Palmeiras e Sírio.

Pela seleção brasileira participei dos Campeonatos Mundiais de 1963, Rio de Janeiro, medalha de ouro; 1967,Uruguai, medalha de bronze, cestinha da equipe brasileira e 1970, Yugoslávia, medalha de prata, cestinha da equipe brasileira.

Nota: Menon participou de 22 jogos e marcou 331 pts – média de 15,0 pts

Joguei em três Pan Americanos: 1963. São Paulo, medalha de prata; 1967, Winnipeg, 7ª colocação e 1971,Cali, medalha de ouro.

Nota: Menon participou de 11 jogos e marcou 122 pts – média de 11,1 pts

Nos Jogos Olímpicos estive em 1968, México, 4ª colocação e em 1972, Alemanha, 7ª colocação. Em 1964, por ocasião da olimpíada realizada no Japão, solicitei dispensa da convocação para estudar. Objetivo, o vestibular para medicina.

Minha maior glória foi ter sido o  porta bandeira do Brasil no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

Nota: Menon participou de 17 jogos e marcou 214 pts – média de 12,6 pts

Alem desses títulos representando nosso país, conquistei alguns no âmbito nacional: torneio preparatório, metropolitano, estadual e brasileiro, representando os clubes que joguei.

Campeão Brasileiro interseleções em 1962 (Franca) e 1964 (Pernambuco); Campeão Brasileiro Universitário 1969; Melhor Cestobolista do Ano (1967) e Melhor Cestobolista Universitário (1969).

Equipes marcantes que defendeu e que enfrentou

Não conseguiria indicar uma única equipe marcante que joguei. Todas foram muito fortes. Talvez a de 1963 no Mundial do Rio de Janeiro.

Foram várias as equipe que enfrentei consideradas extraordinárias. Entretanto, uma delas está gravada com detalhes: a URSS de 1970, porque foi a maior demonstração de garra que me recordo e com vitória brasileira. Vale acrescentar que, ao memorizar essa partida, me envolvi de garra semelhante, para alcançar a recuperação física mais rápida, decorrente de uma patologia neurológica a que fui acometido.

Falando dos rivais e dos jogadores de sua época que mais impressionaram

No nosso país e, especialmente em São Paulo, o Corinthians, Palmeiras e a equipe da cidade de Franca. Em competições pelo selecionado brasileiro, a URSS, Yugoslávia e EEUU.

Aprendi muito observando vários jogadores que, alem do Amaury, não poderia enumerá-los pela quantidade. Entretanto, quando ainda iniciante, queria ter: o arremesso de gancho do Edson, o “jumping” do Jatyr, a inteligência do Amaury, a velocidade do Mosquito, a versatilidade do Wlamir e o malabarismo do Rosa Branca. Não queria nada mais , hein?

A contribuição dos técnicos

Em minha carreira tive vários técnicos: os fundamentos básicos do basquete foram ensinados pelo Túlio Di Grado, no juvenil do Palmeiras. Alem desse aprendizado, recebi orientações de: Mario Amâncio Duarte, Moacir Daiuto, Angel Crespo e Pedro Genevicius (Pedroca),no Palmeiras e no Sírio. Togo Renan Soares (Kanela), Renato Brito Cunha e Edson Bispo dos Santos, na seleção brasileira.

Os atletas internacionais que mais marcaram

Também foram vários. Por isso é difícil citá-los. Entretanto, Spencer Heywood e Jo Jo White dos EEUU; Cosic, Siminovic e Skanci da Yugoslávia; Paulauskas, Volnov e Sergei Belov da URSS e Shin Don Pa da Coréia do Sul. Cito estes atletas, uma vez que, tive de enfrentá-los representando nossas cores.

Sobre a conquista do Mundial de 1963, o vice mundial em 1970 e as participações em Jogo Olímpicos (68 e 72).

Em 1963 era o mais novo dos integrantes e, consequentemente, tive a oportunidade de aprender muito, mesmo tendo ficado no banco como torcedor privilegiado. Foi momento de muita emoção estar naquele grupo e me tornar campeão mundial.

Em 1970, titular desde 67, comandava a equipe, pois era o capitão. Essa deferência se deu pelo fato de falar um pouco da língua inglesa e assim poderia me comunicar melhor com os árbitros.  O vice-campeonato teve sabor especial. Saímos do Brasil, completamente desacreditados. A equipe não estava bem. Treinamos pouco e tivemos que enfrentar muitas dificuldades políticas. Vivíamos num regime ditatorial e quase nossa participação não teria acontecido. Não fosse a interferência do Ministro Jarbas Passarinho, conseguindo a liberação da verba necessária para que pudéssemos viajar. Portanto, a emoção de trazer a medalha de prata foi altamente significativa.

Nos jogos olímpicos de 68 alcançamos o quarto posto e sem considerar o decantado chororô, a arbitragem facciosa de Mario Oppenheim, foi determinante para a derrota contra a URSS. Vale acrescentar, que esse juiz foi o mesmo que nos prejudicou em 67,contra a mesma URSS. No mínimo seríamos medalha de prata.

Em 72, fui envolvido de uma ambiguidade de sentimentos: a alegria de ter sido indicado para porta bandeira e depois de alguns dias, a tristeza pelo atentado terrorista.

Nos jogos, não nos apresentamos bem. A derrota contra os cubanos nos eliminou de estar entre os finalistas. Ficamos em sétimo lugar.

Comparação entre o basquetebol que era jogado naquela época e o praticado atualmente

No passado o basquete refletia o esporte coletivo. À medida que o individualismo passou a ser privilegiado, o basquete perdeu o “romantismo” que existia. Atualmente, estamos copiando muito a característica da NBA. Apenas que na América a quantidade de atletas fora de série é gigantesca

A contribuição do basquetebol e do esporte no geral na sua vida pessoal e profissional

O esporte coletivo ensina ou aprimora muita coisa. Trabalho em equipe, certamente é fator de sucesso, tanto no esporte como nas empresas. Disciplina, concentração, presença de espírito ou raciocínio rápido, respeito aos colegas, adversários, dirigentes juízes, mesários, etc.. e determinação e.

Você era um especialista em arremessos e tinha um estilo muito bonito nesse fundamento. Quais jogadores que você citaria nesse fundamento como os melhores?

Difícil citar alguns atletas nesse fundamento, pela grande quantidade de especialistas. Entretanto, lembro alguns brasileiros que se destacaram: Amaury, Wlamir, Waldemar, Jatyr, Radvilas, Marcel, Oscar e Marcelinho Machado.

A influência da NBA no basquetebol atual

Quero dizer inicialmente que acompanho muito pouco o basquete. A falta de tempo disponível para assistir a TV e os horários em que os jogos da NBA são transmitidos, são fatores que me impedem de visualizá-los. Entretanto, arrisco algum comentário:

O basquete é um esporte coletivo e portanto, não pode haver individualismos como tenho escutado isso a respeito.

O Brasil ficou fora de 4 Olimpíadas e agora volta à cena. Por quê você acha que ficamos tanto tempo fora dos Jogos e tanto tempo sem obter resultados internacionais expressivos. O que se pode esperar do nosso time?

Inicio pelo fim. Estou entusiasmado com a equipe atual. Assisti a dois jogos do Pré Olímpico e percebi evolução com o novo técnico. Portanto, podemos esperar grandes apresentações. Ficamos fora de três edições olímpicas porque houve o que chamamos de entre safra. Nesse período ficou marcante o interesse individual num esporte coletivo.

Qual sua atividade atual? Ainda curte o basquetebol? Vai a jogos ou vê pela TV?

Sou médico e ainda pratico a profissão. Evidentemente pelos problemas de saúde que tive que enfrentar fui obrigado a reduzir a jornada de trabalho. Não vou aos jogos e raramente os assisto pela TV.

Da geração atual há algum jogador que chame sua atenção?

São muito bons jogadores, mas, para mim, Marcelinho Huertas é um fora de série.

Mensagem para os jovens que gostam do basquetebol e lutam para ser jogadores.

Acredito ser muito ousado em oferecer mensagens, porém, o que me vem à mente é o seguinte: muita determinação, respeito aos colegas ,adversários e a todos que estão envolvidos no contexto. Sem ser cabotino, posso me considerar um exemplo de que é possível associar esporte competitivo com outra atividade profissional.

Menon, em seu primeiro Mundial (1963, Rio de Janeiro) ao lado de colegas do E.C.Sírio – Sucar e Victor

Entrevista com Paulista: Campeão Mundial em 1963

Talvez pelo nome oficial poucos o conheçam: Benedito Cícero Torteli. Mas se o chamarmos de “Paulista”, muitos o reconhecerão.

A carreira

Paulista foi Campeão Mundial, em 1963, fazendo parte daquele grupo que imortalizou o basquetebol brasileiro e que tinha, entre outros: Wlamir, Amaury, Rosa Branca, Mosquito, Jatir, Sucar, Bira, Menon, Victor, Valdemar e Friederich.  Sua posição era a de lateral (ou na linguagem moderna, um 3 e segundo Kanela, um dos melhores 3 do mundo).

Paulista começou a jogar basquetebol por curiosidade na Associação Atlética N. Sra. da Penha, em Sorocaba, em 1957. Ainda em Sorocaba jogou pela Associação Atlética Scarpa, Associação Atlética Votorantim e pela Seleção Sorocabana.

Em 1958, transferiu-se para São José dos Campos onde atuou pelo Tenis Clube de São José dos Campos e Seleção da Cidade e em 1959 atuou em São Carlos, pelo São Carlos Clube e pela seleção Sancarlense.

Sua trajetória pelo interior paulista terminou em 1961, quando atuou pelo Palmeiras. E em 1962, Paulista transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro onde atuou pelo Vasco (1962 até 1969), Municipal (1970 e 1971) e pelo Fluminense, em 1972 e 1973. Em todas essas equipes ele conquistou títulos de Campão ou de Vice.

Pela Seleção Brasileira atuou no Sul Americano (1960 – Córdoba – Argentina e em 1963 – Lima – Peru), tornando-se campão nos dois Campeonatos. Mas o auge veio em 1963 com a conquista do Campeonato Mundial  no Rio de Janeiro. Segundo dados fornecidos pelo colega José Medalha, Paulista atuou em 23 partidas pela seleção e marcou 43 pontos.

Os jogadores, os ídolos e os técnicos

Wlamir, Waldemar e Rosa Branca eram os melhores brasileiros. Mas eu me espelhava também em jogadores como Jerry Lucas e Jerry West que atuavam nos Estados Unidos e foram ídolos na NBA. Mas muitos me impressionavam ,principalmente o Rosa Branca e o Amaury.

Os meus técnicos, no início de carreira, em Sorocaba eram o Reinaldo Iung, o Sinistro e o Campineiro. Em S.Carlos era o Mário Amâncio Duarte. No Rio Ary Vidal e Tude Sobrinho. Mas o melhor de todos foi o Kanela.

As equipes mais difíceis de serem enfrentadas naquela época no Brasil e no exterior

No Brasil: 15 de Piracicaba, Sírio e Flamengo
No exterior: USA, Yoguslávia e Rússia.

Treinamentos e relação dos atletas com os clubes

Os treinos eram diários durante 2 a 3 horas e se treinava muito drible, parada e Jump, muito arremesso da periferia da tabela e pouca marcação.

Sempre jogou profissionalmente com salário e contrato assinado.

Como era o estilo de jogo das equipes da época? Muito diferente da forma como se joga hoje?

Na minha época, o basquetebol era mais técnico e com um pouco de força física que era meu forte. Claro que era diferente, pois hoje se joga só na força física

Depois da fase atleta você continuou com o basquetebol?

Estou até hoje envolvido com o basquete. Entre outras coisas fui Presidente da Federação Universitária por 12 anos, da CBDU por 18 anos e da Federação de Basquete do Rio de Janeiro por 9 anos.

Fui Vice Presidente Técnico da CBB por 61 dias na primeira eleição do Brito Cunha. Sou Presidente da Associação de Basquetebol de Veteranos do Rio de Janeiro desde 1997. Esta entidade é treze vezes Campeã Geral do Campeonato Brasileiro Master, além de manter desde 2002 um Projeto Social (escolinha de basquete para crianças carentes onde chegamos a ter 400 alunos).

Fale do trabalho da Associação  dos Veteranos e dos campeonatos mundiais de veteranos

Além do que foi dito acima, em relação aos mundiais eu participei de todos iniciando na categoria “50 plus”, em 1990 até o último realizado em Natal na categoria 70 anos onde fui vice- campeão.

Meu melhor feito no basquete veterano é como dirigente e técnico das categorias femininas sendo que em Natal, em 2011, em sete categorias femininas fomos campeões em quatro delas: 30, 35, 55 e 60 e vice campeões nas categorias 40, 45 e 50.

O que acha das chances do Brasil nos próximos Jogos Olímpicos?

No masculino se montarmos uma equipe com os melhores jogadores e com bom treinamento vamos disputar de 5º a 8º  e no feminino nas mesmas condições podemos até pensar em medalha.

Se tiver algo interessante que queira colocar fique à vontade.

Se nós todos que gostamos de basquete fizéssemos um pouco mais e falássemos e criticássemos menos tenho certeza que o basquete do Brasil seria um pouco melhor do que é.

Eu vejo muita gente falando e criticando, mas pouquíssimas pessoas fazendo alguma coisa pelo bem do basquete.

Paulista (8) em ação pela Seleção Brasileira

Kátia de Araújo fala do Projeto “Virando o Jogo Sampa”

Amigos do Basquetebol

Recentemente tive a oportunidade de conhecer um dos mais belos projetos que é desenvolvido em nossa cidade: “Virando o Jogo Sampa”.

É um programa de esporte, lazer e recreação, desenvolvido pela Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo. Tem o apoio da Secretaria de Segurança Urbana/ Guarda Civil Metropolitana – GCM e parceria da Suprefeitura local, responsável pela zeladoria e manutenção dos espaços físicos. É destinado a crianças e adolescentes de 3 a 17 anos de idade, que utiliza o Basquetebol, Hip-Hop, Skate, Patins, Arte e oficina de motricidade (desenvolvimento das habilidades básicas e coordenativas), como instrumentos de inclusão e transformação social, buscando desenvolvimento integral do indivíduo e sua formação educacional.

Atualmente o projeto é desenvolvido em dois polos: Águas Espraiadas (Av. Roberto Marinho) e Luz (na praça em frente ao Colégio Sagrado Coração de Jesus) e futuramente será expandido para outros pontos da cidade.

A Coordenadora do projeto é a profa. Kátia de Araújo que é treinadora de basquetebol e trabalha com a formação de atletas, principalmente no feminino. Por suas mãos passaram atletas que hoje integram as seleções brasileiras como Tássia, Tatiane e Patrícia. Kátia foi eleita por três anos consecutivos como a melhor técnica pela Federação Paulista de Basketball (2003/ 2004/2005). Em 2007 foi nomeada para o cargo efetivo/concursado da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo, o que a fez deixar o basquetebol de Americana. Em 2011, depois de estabilizada e com vários projetos sociais com impacto na sociedade, montou a equipe mini feminino no C.A Juventus e se dedica de corpo e alma ao referido projeto.

Como surgiu a ideia do projeto?

Como eu tinha como meta desde 2007, de um dia implantar atividades de esporte e lazer no Centro Comunitário Águas Espraiadas, que fica próximo da minha casa e que se encontrava ocioso e com o entorno cheio de crianças e adolescentes nas ruas e faróis e em situação de vulnerabilidade e risco social, apresentei o projeto na SEME. Além de aprovarem o projeto, fui solicitada a detectar outros locais com o mesmo perfil para que ele pudesse ser ampliado.

Fui atrás de um nome próprio para implantação e ampliação na cidade de São Paulo, que resumisse o nosso principal objetivo que era a  transformação social, por isso o nome Virando o Jogo Sampa.

O Virando O Jogo Sampa é uma reformulação de um projeto desenvolvido por voluntários da Vila Guarani, com atividades de cultura de rua (Basquetebol, Skate, Patins, Arte, Oficina de Motricidade), o que nos aproximava do público alvo. A ideia era implantá-lo em espaços públicos ociosos, com grande índice de vulnerabilidade e risco social e destinado ao atendimento de um público que não tem acesso ao esporte e lazer próximo de sua moradia.

“Virando o Jogo Sampa”  tem como objetivos: garantir o acesso ao esporte e lazer como um poderoso instrumento de inclusão e transformação social; proporcionar o desenvolvimento integral do indivíduo e sua formação educacional, favorecer a inserção na sociedade e a ampliar as possibilidades futuras.

 Qual o perfil das crianças que participam do projeto?

São crianças e adolescentes, de ambos os sexos, de 03 a 17 anos, que residam ou circulam pelos espaços públicos, em situação de vulnerabilidade e risco social e moradores de entorno.

Que dificuldades vocês encontram para trazer e manter essas crianças no projeto?

São muitas as dificuldades. Inicialmente, é fazer com que as comunidades se apropriem das atividades e dos espaços, e entendam que o espaço público não pertence a nenhuma comunidade específica. Outro problema é a rotatividade do público, pois muitos não possuem moradia fixa.

Os pais incentivam muito pouco e não participam das atividades e muitas crianças têm as mesmas responsabilidades de um adulto, pois muitas têm que cuidar dos irmãos mais novos e até contribuir para a renda familiar, pedindo esmolas em semáforos.

Quais os próximos passos?

Já implantamos o Virando O Jogo Sampa em dois locais: Centro Comunitário Águas Espraiadas e Largo Coração de Jesus – Luz e até Junho de 2012, implantaremos em mais  cinco locais. No próximo dia 03 de Março iremos implantar na Praça Mendes de Sá – Glicério.

O que se espera dos professores que ministram as atividades no projeto?

As modalidades implantadas servem de instrumentos para que façamos a nossa parte para aquela comunidade. Além de ensinar os aspectos técnicos das modalidades, os profissionais passam a ser a referência e exemplo para os participantes do programa. Numa relação de confiança adquirida no dia a dia, eles têm o poder de transformá-los, de torná-los cada dia melhores, de reforçar e desenvolver valores morais e éticos.

Isto acontece sem imposições, pela própria dinâmica das aulas e atividades. Assim contribuem para o exercício de cidadania e para um mundo melhor, além de revelar talentos para a modalidade e encaminhá-los para clubes que ofereçam um mínimo de estrutura para mantê-lo e continuidade de um trabalho efetivo.

Fale um pouco do acompanhamento escolar, o papel  da conselheira tutelar e o que é oferecido às crianças.

 

Depois da apropriação do espaço e das atividades pelos participantes, detectamos aqueles que não estão freqüentando o ensino formal, porque passam o dia inteiro no Virando O Jogo, aqueles que não possuem documentos, que sofrem maus tratos, violência, abandono, abusos. Então entramos em contato com o conselho tutelar  para zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e adolescente previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

O projeto prevê materiais para cada modalidade, equipamento de proteção para os esportes radicais (patins e skate) e Kit lanche para final de período, primordial, já que muitos dos participantes vão para as atividades sem se alimentar.

Algo que você queira ressaltar e que ache importante

As atividades do Virando O Jogo Sampa acontecem de segunda a segunda feira das 9h às 16h. As crianças recebem um lanche em cada período.

Para finalizar deixo uma frase do grande professor e pedagogo do esporte, Jorge Olímpio Bento (Universidade do Porto): ”Dentro de cada criança há um esboço e projeto de vida e de homem a espera de serem revelados e realizados.  Nem todos podem ser campeões, mas todos podem dar o melhor de si mesmo para cumprir o sonho e a história de felicidade que intimamente os habitam. Todos podem alargar e trocar os limites e constrangimentos interiores pela visão e grandeza dos horizontes exteriores“ .

O Basquetebol no “Virando o Jogo Luz”

Patins no “Virando o Jogo Águas Espraiadas”

Entrevista com Elzinha

A entrevista desta vez é com uma das melhores armadoras do nosso basquetebol nas décadas de 60 a 80: Elza Pacheco ou simplesmente Elzinha. Ela fez parte da equipe campeã Pan Americana, em 1967, em Winnipeg (Canadá) e medalha de bronze no Mundial de 1971, no Brasil e campeã em inúmeros Campeonatos Sul Americanos.

Jogou basquetebol de 1964 a 1985 quando encerrou sua carreira em São Caetano do Sul. Elzinha defendeu somente três equipes: Paraguaçú Paulista, Piracicaba e São Caetano.

Além dos inúmeros títulos nas quadras, Elzinha foi eleita como uma das cinco melhores jogadoras das Américas, durante o Pan de Cali, na Colômbia e neste mesmo ano (1971) foi agraciada com a Ordem Cruzeiro do Sul, em Brasília, juntamente com as jogadoras daquela geração inesquecível. O Diário do Grande ABC, jornal de grande circulação na região, concedeu a Elzinha o título de Imortal do ABC, pelos relevantes serviços prestados como atleta e como professora de uma das mais importantes instituições de ensino do ABC Paulista.

Atualmente, Elzinha é supervisora pedagógica do Programa Cidade Educadora da Editora Aymará, atuando em Santos-SP.

Curiosidade: no seu primeiro jogo, ainda garotinha,11anos, contra a equipe de Votorantim, Elzinha consagrou-se em sua cidade natal ao fazer a única cesta da equipe, na derrota por 105 x 2.

Foi ovacionada pela torcida com uma cesta de costas para a tabela e no último segundo…vitória de honra como conta Elzinha.

Eis o relato de nossa entrevistada

Como foi o início de sua carreira?

“Iniciei em Paraguaçu Paulista (minha cidade natal) aos 11 anos. A cidade sempre forte no tênis de campo,eu jogava os dois esportes, amava o basquetebol e quando tive que optar não tive dúvidas. Gosto de jogo coletivo e de interagir.

Aos 13 anos o basquete masculino de Piracicaba (fortíssimo na época com jogadores como Pecente,Wlamir e Waldemar) foi jogar em Assis cidade próxima e nós fomos fazer a preliminar. Era perto do natal 1964. O técnico de Piracicaba, Manoel Bortoletto me viu jogar e solicitou contatos dos meus pais. Ele ligou para o meu pai me convidando para jogar no XV de Novembro de Piracicaba com Heleninha, Maria Helena, Delcy e outras “cobras” da época.

Meu pai jornalista e esportista convenceu minha mãe a concordar com a ideia e solicitou que minha irmã Elsy, dois anos mais velha, fosse junto(ela jogava muito bem basquete também) e que estudássemos no Colégio Piracicabano e morássemos em casa de família.
Eles aceitaram e lá fui eu conhecer uma vida totalmente nova e deslumbrante para mim, um mundo desconhecido. E como gosto de desafios e descobertas acabei me dando bem.

Heleninha a grande armadora do XV e da seleção se encantou com minhas habilidades e se propôs a me ensinar o segredo da intimidade com a bola e quadra. Eu ia todos os dias 2h antes do horário de treino aprender com ela. Comecei rápido a jogar como titular da equipe  a torcida me intitulou ” coqueluche de Piracicaba”.

Naquele tempo o Torneio das Estrelas em Piracicaba era um acontecimento. Havia equipes do Brasil e da América do Sul e nós ganhamos todos os jogos com uma torcida  apaixonada que me adotou com muito carinho.

Como foi sua ida para integrar a equipe de São Caetano que foi uma das equipes mais fortes do basquetebol brasileiro durante anos?

Em 1970, São Caetano do Sul montou equipe de basquete feminino. Foram buscar no Rio de Janeiro, Marlene (Botafogo), Norminha e Delcy (Flamengo), Simone (Bahia), Rosália (São José dos Campos)  eu em Piracicaba. A equipe ficou muito forte e ganhamos vários campeonatos paulistas e sul-americanos, além dos Jogos Abertos.

Nosso maior adversário era Santo André (Pirelli) com Nilza (in memorian) Laís, Nadir Bazzani e outras famosas da época. A rivalidade era só na quadra. Nós estudávamos juntas e íamos para faculdade em Santos em uma Kombi às 5h da manhã todos os dias.Nos jogos dávamos nosso melhor (amizade a parte!!!). Na verdade havia entre nós uma cumplicidade e ética. Ajudávamo-nos muito.

De quebra, eu e a Delcy jogávamos voleibol também nos Jogos Abertos por São Caetano e em alguns deles disputei tênis em dupla com Cássia Lorenzini.

Encerrei a carreira em São Caetano no ano de 1985.

E sua passagem pela Seleção Brasileira?

Em 1967, com 15 anos, fui convocada para seleção e fui ao Pan Americano de Winnipeg (Canadá) Americano. O Brasil trouxe a medalha de ouro e começamos a ficar conhecidas. Daí para frente  participei de vários sul americanos e creio que fui umas 5 ou 6 vezes campeã.

Em 1971 vivemos o auge do basquete feminino com o Mundial no Ibirapuera São Paulo. Eu me machuquei no último treino logo após ter conquistado a camisa de armadora titular. . Quase nem joguei, entrei uns minutinhos contra a Coréia e fiz duas cestas uma de longe e outra infiltrando mas o tornozelo não deixava fazer quase nada impedia os movimentos e doía bastante.Foi uma grande lição.

Assisti do banco e torci de corpo, alma e espírito para as companheiras.

Um mês depois fomos a Cali Colômbia disputar outro Pan. Eu estava recuperada e joguei de titular todos os jogos armando a seleção e algumas vezes trocando a posição com a Norminha.

Sempre atuei de armadora e lateral. Dependendo da situação nos revezávamos dentro das próprias táticas.

Minha última atuação pela seleção foi em uma excursão pela Europa, em um jogo contra a Iugoslávia.

Quais eram as jogadoras que atuavam em sua posição na sua época. Você se espelhou em alguém?
Sempre me espelhei na Heleninha (considerada a melhor armadora do mundo na época) e depois minha admiração foi também para Norminha com quem aprendi muito do basquete e de Educação Física (ela e a Rosália eram formadas na Federal do RJ e nos ajudaram bastante com os estudos). Na minha posição de armadora disputava com Heleninha e Laís (das quais me tornei grande amiga).

Quais as jogadoras mais importantes dessa época e quais jogadoras com quem jogou que mais te impressionavam?
No Brasil : Marlene, Nilza, Norminha, Delcy, Maria Helena e Heleninha.
No exterior: as russas e tchecas me impressionavam, mas não mais que Hortência bem novinha quando iniciou conosco. Ela simplesmente já no início da carreira era inigualável!

Quais as equipes mais difíceis de serem enfrentadas nessa época: no Brasil e no exterior?
As russas eram imbatíveis. Jogar contra os Estados Unidos era difícil, mas na minha época nunca perdemos delas. Das tchecas perdemos um jogo e ganhamos outros. A Coréia e Japão eram muito difíceis, mas ganhamos todas. Aqui na América do Sul não tínhamos adversários. Só a Argentina dava mais trabalho e às vezes o Paraguai e  Chile, mas sempre fomos campeãs mesmo no Chile que tinha uma equipe muito boa.

Como eram os treinamentos: dias da semana, tempo de treinamento, o que era treinado?
Treinávamos todos os dias lá pelas 18h (mais ou menos umas duas horas). A primeira parte condicionamento físico, logo depois treino tático e no final o que mais gostava, o coletivo.

Os técnicos eram muito esforçados e procuravam saber o que acontecia de melhor mesmo com muitas dificuldades de intercâmbio. Aprendíamos vendo nas poucas oportunidades os times europeus e asiáticos. Éramos muito empenhadas e comprometidas.

Quais os principais técnicos que te influenciaram? Algum em especial?
Valdir Pagan e Marlene José Bento.

Minha técnica particular e inesquecível foi Heleninha.

Maria Helena me impressionava quando nos pedidos de tempo sugeria ao técnico do XV de Piracicaba, Manoel Bortoletto, detalhes importantíssimos que só ela enxergava. Heleninha também era assim. Eles acabavam fazendo um trabalho compartilhado.

Como era o estilo de jogo das equipes da época? Muito diferente da forma como se joga hoje?
Bastante técnico, com muitas habilidades, muito pensado e articulado. Não era com força física como agora. A defesa era treinada, mas não tanto como agora que é muito valorizada.
As jogadoras em geral eram muito habilidosas e graciosas. Havia muita atitude e iniciativa. Os técnicos proporcionavam esta autonomia.

Como era a relação das atletas com os clubes? Havia contrato, pagamento?
Era uma relação mais de combinados na confiança, com moradia, emprego, bolsas de estudos e pequenas ajudas de custo. Muitas vezes comprávamos nossos tênis e não havia o patrocínio como hoje.

São Caetano do Sul nos proporcionou amigos, apoio, moradia, emprego e uma pequena ajuda de custo. Santos nos presenteou com estudo (Faculdade de Educação Física).Somos muito gratas!

Depois da fase atleta você continuou com o basquetebol?
Somente com torcedora. Fui para a pedagogia e me tornei educadora.

Como professora e diretora do Colégio Stocco, em Santo André, fundei a Escola de Esportes com Janice minha colega de trabalho.

O que acha das chances do Brasil nos próximos Jogos Olímpicos?
O Brasil surpreende sempre em todos os esportes com o surgimento de novos valores. Vamos ter grandes chances quando os dirigentes focarem somente nos interesses do esporte e do Brasil.

Creio que a Hortência poderá despertar este conceito. Gosto muito da sua habilidade de empreendedora e sua inegável inspiração. Ela e o basquete se confundem ainda bem que ela aceitou o desafio e gosta desta luta pelo basquete.

Considerações finais:

Penso que o esporte competitivo está perdendo o melhor que era a alegria de jogar e se relacionar. Cultuávamos o valor do encontro. Agora são todos muito individualistas. Precisam melhorar as relações interpessoais, o compromisso, as atitudes o cuidar e  prestar atenção no outro.
Jogávamos para servir. As bênçãos e benefícios nos alcançavam e muitas vezes até nos atropelavam. Ganhávamos muito pouco, mas ganhamos tudo que precisávamos.
Sou muito grata ao Basquetebol, pois ele me deu ilimitadas possibilidades. Agora é só ir lendo o momento da vida e jogar bem. Afinal o jogo continua e neste campeonato da vida não dá para ficar na reserva!

Obs: Elzinha tem um capítulo inteiro reservado a ela no livro “Mulheres à cesta: o basquete feminino no Brasil (1892-1971) escrito por Cláudia Guedes.

Elzinha (7), com a equipe do São Caetano E.C. no Campeonato Sul Americano no Ecuador com Delci (14), Marlene (13 ) e Norminha (10). Nesta foto observamos a presença da saudosa Nilza (ao lado da Delcy), cedida pela grande rival Santo André para a disputa do referido Campeonato.

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